Elenco de ouro no Projeto Gambiarra
domingo, julho 25th, 2010
saiba mais sobre o Elenco de Ouro no Projeto Gambiarra

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REBECCA é o encontro de duas personagens que, à vista da impossibilidade afetiva, tecem o pano das relações baseado nas dificuldades linguísticas do léxico português. David e Francis confabulam sobre o término da sensibilidade da Galáxia, enquanto os arrasam por dentro suas doenças terminais meramente psicológicas. A língua-mãe: o crime de lesa-língua perfeito.
Espetáculo-instalação multimídia mais recente da Companhia Silenciosa, REBECCA traz questões como a hierarquia, a dominação e a ultraviolência sob o viés da língua, inteira em desuso por conta do advento de novas tecnologias e configurações humanas. Dois atores interpretam humanoides esquizofrênicos saturados de sua humanidade.
serviço:
A Companhia Silenciosa Apresenta REBECCA ou David Começa A Babar,
de Léo Glück, com direção de Giorgia Conceição.
Com Clovis Cunha & Ricardo Nolasco.
De 10 de junho a 11 de julho de 2010, de quinta a domingo às 20hs. No Teatro Novelas Curitibanas.
> Acompanhe o virtual/processual ”’REBECCA Work In Progress”’ pela web no www.davidefrancis.blogspot.com <
Manifesto Peep Show é uma etapa do segmento Território Imaginário, apresentações cênicas envolvendo elaboração de dança idiossincrática e transe pré-hipnótico. Território Imaginário existe há mais de quatro anos, tendo sido apresentado na Mostra Sesc de Artes Universitárias em 2009, e existindo também como apresentações para convidados desde 2006. Vem antes de Límerson começar a dirigir peças de teatro.
O Núcleo de Espetacularidades existe desde 2006, e apresenta peças em Curitiba desde 2007. É um paralelo, uma analogia espetacularizada, dos membros envolvidos. Envolvimento inclusive é uma palavra chave, que permeia entre nos libertar e nos aprisionar. Nenhum ato ainda foi transgressor, aliás e cada vez mais aparenta-se uma retomada. Creio que a aparência seja própria do meio com o qual nos relacionamos, meio de produção de aparências. Vínculo estabelecido: nenhum suficientemente provável, impressão de vinculação: impressão de vinculação à tudo o que foi visto.
No Ato Performático o Núcleo de Espetacularidades aparece com sangue no supercílio. Não colocou nem as mãos quando caiu com a cara no chão. Manifesto Peep Show, cicatriz que sangra em ferida, como num efeito reversivo, não se retroalimenta de seus princípios. Como no meu aniversário de um ano, quando chorei tanto sem haver nenhum motivo, é fraca minha lembrança.
Cena: Sansão, em lapso de extrema feminilidade, intui acerca de seu iniciamento, no mundo pós-mitológico de retrodramaticidade. Faz isso através de celebração dançante. Aparência inicial: ritual monocórdico de transformação. Aspecto totalitário: Território Imaginário, segmento serial de manifestações (Peep Show Masturbatório) cênicas, reapresentado paulatinamente, sem chegar no infinito.
Predominância: Poeta Xamã.
De 04 a 09 de maio vai rolar o “Ato Performático”, promovido pelo Sesc-Pr, um evento que tem como proposta criar espaço para apresentação de trabalhos baseados na arte da performance, ampliar o conhecimento teórico e prático e promover e difundir a performance arte”
Vários grupos, palestras, lançamento de livros, bate-papo, apresentações de grupos locais: Peep Show-Manifesto de Limerson e Walace Brassero, Distenção de Fernando Ribeiro, Último Canto do Bode do Heliogábalus dir. Ricardo Nolasco, (En) cantoa (mentoE) Intervent (Atores), Di_visão, Lady Macbeth Punk, Word (Meaningful Elements Of Speech) da com letra Léo Glück, Sim Eu gostaria de Uma Taça de Vinho de Luzana Medeiros dos Santos, Um asteroide Pequeno do Coletivo Néctar, C6H12O6 (s) + 6 O2 (g) <—-> 6 CO2 (g) + 6 H2O (l) + Energia [O] <3 do coletivo Eu Também quero um Carrinho de Mercado, As asas são para Voar
Mais um monte oficinas, Pedra Branca, coisa e tal. A programação completa está neste site
Quando os bandidos entraram atirando, só pensei em estrangular aquela arquiteta imbecil
Nesse maldito escritório clean, minimalista, não restou um móvel atrás do qual eu pudesse me esconder”
amanhã,
sábado, dia 24 de abril, será lançado o livro Vem cá que eu te conto em Curitiba.
O evento acontece no Quintana Café - Av. do Batel, 1440, das 16:30 às 20:00 informações, acesse aqui

Wagner submerge ante os cordões de botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. O levante que se precipitou todas as vezes que já tapamos a boca (e abafamos tantos discursos) do europeu com nossas vaginas (outrora tupiniquins). Servas em Chamas! É do colo de nossos patrões que faremos a nossa revolução. Meigas, inexpressivas e excitantes. Quem terá coragem de calar a nossa voz?
Rio, vaudeville do mundo, besame.besame mucho Babilônia submersa.
La Torloni, diva do cinema duvidoso nacional da década de 80 e inicio de 90, te convida para o desbunde.”
24 DE ABRIL 23 HORAS
A GATA COMEU (R. Ubaldino do Amaral, 643 Alto da Glória,Curitiba/PR).
Entrada 5 pilas - contato: HELIOGÁBALUS - divasemchamas@gmail.com
Todo o totalitarismo da terra em único coro libertário
Nosso canto de ódio e paixão ao expansivo corpo opressor!
efusão, hibridismo, guerra e combate. O fim de uma dinastia.
O ÚLTIMO CANTO DO BODE
(Tomo I - A Bestificação de Rômulo)
dia 27 de março – sábado - 22h30
Casa Vermelha - Largo da Ordem - Ctba
Vicente Machado com Visconde de Nácar. Vinte e quatro horas de padaria. Nunca fecha sempre lá; horas em aberto guarda-chuva que passa a compor o leque que encobre antes de alguém o mundo. Roreja pendurado em pequena poça que se forma no chão do balcão onde sento.
Enquanto não parar de chover eu não vou parar de comer e possivelmente ter no que pensar o que seria um grave regozijo. Quase acontece tudo ao mesmo tempo. Tenho as calças curtas e os pelos da perna terrivelmente umedecidos o que é incômodo. O tempero do bolinho de carne mudou nos últimos dois anos. Enfim, algo mudou nestes anos então. No entanto não posso eu garantir isso.
Do alto do meu raso, vaga à profunda chuva horizontando a rua, no fim é chão com chuva longe, onde fica o barulho borbulhante que é o choque. Numa só e árdua e só formalização perceptiva. Estou é cheio.
Você já foi atendido? Eu olho nos olhos por dois exatos segundos reflexivos meio que em jogo de espelhos barato. Ainda não. E o que vai ser para você? Algo envenenado, de preferência, eu pensava. Algo que rapidamente me conquiste, vicie e aniquile. Quero um jogo de espelhos, entre predador e presa. Deleite coreográfico. Encher e pança. Quero ser eu consumindo, por favor.
Não fui atendido ainda e espero que você compreenda que eu estou profundamente triste por isso. Anota na fichinha o preço que eu pago. Fui pego de calças curtas com a boca em nenhuma botija. A boca estava aberta em espanto escancaro. Coisa barata é que não é, dona. Varo as várias das vinte e quatro horas, por vagas que revogam prerrogativas.
Estreia nesta quarta-feira (24) A Língua da Montanha, peça do dramaturgo inglês Harold Pinter, encenada pelo GRUTA
Baseada na obra do dramaturgo inglês Harold Pinter (1930-2008), vencedor do prêmio Nobel de Literatura e um dos principais nomes do teatro contemporâneo, estreia nesta quarta-feira (24) a peça A Língua da Montanha, encenada pelo Grupo de Teatro Amador (GRUTA) do Colégio Estadual do Paraná (CEP). “Off Festival de Curitiba”, a montagem fica em cartaz até sábado (27), no Salão Nobre do CEP, sempre às 20 horas. A entrada é gratuita.
Sem apresentar um enredo claro – com começo, meio e fim ou personagens bem definidos –, a peça aborda questões sobre dominação e violência, mostrando, por exemplo, o tratamento dado por soldados a mulheres e prisioneiros que falam uma língua proibida: a “língua da montanha”.
Um esboço dessa obra foi escrito por Pinter em 1985, logo após ele ter visitado a Turquia, onde presenciou a repressão sofrida pelos Curdos naquele país. Finalizando a peça em 1988, o dramaturgo afirmou que ela não aludia exclusivamente à situação dos Curdos, mas sim a de todos os povos que já foram ou continuavam reprimidos.
Pioneira em Curitiba, a montagem do GRUTA tem a coordenação do diretor e ator Hermisson Nogueira, que como de praxe valoriza sobretudo o trabalho corporal de seus pupilos. Truques como fumaça, projeções ou figurinos especiais são dispensados. A participação de um coral regido pelo maestro Alvaro Naldony também contribui para instaurar no Salão Nobre do CEP uma atmosfera de pesadelo.
Dica do Franco Fuchs!
por Fabio Mattoso - fabio_mattoso@hotmail.com
Almoçava no mesmo lugar todo dia. Todo dia de segunda a sexta. Sempre no mesmo horário, às vezes antes, às vezes depois. Mas nunca havia visto aquele rosto. Só que se lembrava dela, não sabia de onde, mas lembrava dela.
Estava cheio o restaurante, como sempre. As mesas eram para quatro pessoas, sentado a sua frente o colega do trabalho, ao lado dele um senhor desconhecido. Ela sentou ao seu lado.
Agora via seu rosto de perfil, tinha certeza que a conhecia. Ou ao menos que já a havia visto. Só não recordava onde. Tantos clientes: trabalhou em bares, lojas, bancos, sempre atendendo, como se lembrar de todos os rostos. Mas aquele ali o incomodava.
Não era bonito, mas belo. Não era jovem, mas forte. Um rosto de mulher, que luta. Que sofre. Que se desespera. Que segue em frente. Ficou impressionado. Não interessado, apenas impressionado. E não se lembrava de onde.
Seu colega continuava falando, muito até. Assunto importante mesmo. Mas não conseguia ouvir direito. Apenas se concentrava no almoço. Almoço rápido. E na memória que lhe fugia.
Terminaram juntos de comer. Não ele e ela. Não ele e o colega. Ele e o senhor a frente. Esperou o amigo terminar. Olhou para ela mais uma vez. Ela continuava a comer. Com suavidade, mas sem perder tempo.
O colega terminou, levantaram e pagaram a conta, antes de sair ainda a olhou mais uma vez. Desistiu não iria lembrar. Foi embora para o trabalho. E durante toda a tarde esqueceu aquele rosto novamente.
De noite em casa, não conseguia dormir e lembrou-se dela novamente. Não estava interessado nela. Mas alguma coisa nela era importante. Adormeceu tentando lembrar.
E sonhou.
Sonhou com aquele rosto.
Sonhou com aquela boca.
Sonhou com aquele nariz.
Sonhou com aqueles olhos
E as lágrimas nos olhos. E o sangue na boca.
E acordou desesperado.
Agora, lembrava dela. Havia visto ela uma vez. Em uma rua do seu bairro. Junto dela, seu marido. Ou namorado. Ou noivo. Eles brigavam. Gritavam. Ela chorava, ele a ameaçava. Até que lhe deu um soco. Um barulho surdo. Seco. Logo depois mais choro. Ela caiu. Ela a chutou. Pessoas que passavam o atacaram. Seguraram. Derrubaram. Ele apanhou. Ela chorou.
E ele, criança ainda, apenas olhou. Olhou ele. Olhou ela. Olhou nos olhos dela. Nas lágrimas dela. E ali, pela primeira vez, nos olhos lacrimejados dela, viu o amor. Morto amor. Violentado amor. Desvirtuado amor.
Mas viu o amor.