Archive for outubro, 2009

Rua José Cadilhe

quarta-feira, outubro 28th, 2009


José Cadilhe é uma rua viva, diabolicamente magnética.
Dela não se consegue sair.
Uma nova habitante será incorporada à Rua.
Seu nome é Julia, e ela está prestes a viver os momentos mais perturbadores de sua vida

O Curta-Metragem “Rua José Cadilhe” é uma produção de alunos e ex-alunos da Comunicação Social da UFPR. Dentre a equipe estão nomes conhecidos na Floresta, como Eduardo Baggio, Maurício de Olinda, Narah Julia, Roliúdi, Luís Carlos Rocha, Larissa Jorge, Rodrigo Domit, Giuliano Biondi, Bruno Reis, Guilherme Araujo e Guilherme Biglia.

Serviço:
Estréia oficial do Curta-Metragem “Rua José Cadilhe”.
Local: Cinemateca, Rua Carlos Cavalcanti, centro – Ctba -1174
dia 31/10 (dia das bruxas), sábado, às 19h30.
programação completa:
exibição dos filmes “O pierrot não morreu” de Marcelo Fernandes e Murilo Ribas, “Era uma vez na biblioteca” de Renato Scorsatto,  e “Utopira” do Jackson Sardá
Entrada gratuita

Após a sessão haverá uma festinha no bar Blues Velvet, Rua Trajano Reis, 314, centro, Curitiba. Entrada da festa 10 pilas, com Doublevodka pra quem for de preto.

Pão de Hambúrguer, Heitor, Spirax e vai…

segunda-feira, outubro 26th, 2009



Pra quem curte a nova safra do rock curitibano, esta semana a banda Pão de Hamburguer lança na web seu ep. Só baixar aqui

Destaque para a faixa “Oh Pai!” - leve, suave e pesada pra mim “hora do almoço discussão fudida, levantava pra fumar aqueles cigas nervoso”

Segundo auto-definição Pão de hamburguer é uma banda de rock’n'roll curitibana. no seu repertório de composições próprias, possui canções de forte identidade lírica e instrumental, algumas já bem conhecidas por quem acompanha a cena da cidade. afora os rótulos inevitáveis que se podem deduzir rápidamente numa primeira audição do grupo, é possível dizer que variam entre um rock muitas vezes metafórico, viajado, à músicas de puro deboche e humor nonsense”

Esta rapaziada do Pão de Hamburguer tá escalada para abrir o primeiro show do Rogério Skylab em Curitiba, dia 28 de novembro.

Mais

Gosto de acompanhar as bandas da cidade. Sou vidrado em Blindagem. Falando da novíssima geração curto bastante Mordida, Charme Chulo, fora os meus camaradas do Spirax, Sabonetes, Bacos, Kolb, Trompas de Falópio e ainda Gato Preto, Os vermes passeiam, Tinto Seco, Naína, Frantic Flintstones, Trapo Banda. Vixe, é muita gente boa pra indicar. Veja mais bandas em clipes do Tubo de Ensaio.
 

O bonde

O bonde do rolê é a banda mais original que já ouvi, pau a pau com os raimundos. sério mesmo. Minhas irmãs pensam que estou de onda quando falo isso. A verdade é que adorei o que eles fizeram pelo mundo.


Mas até a vocalista cansou da piada. Daí desandou tudo.



Heitor e banda Gentileza

Há poucos dias o Heitor e a banda Gentileza lançaram um álbum. Pra baixar clique aqui. Foi o primeiro disco de estúdio do grupo, produzido pelo carioca Plínio Profeta - produtor que ganhou um Grammy Latino pela produção do disco Falange Canibal, do Lenine.

Os caras vão ter 1.000 cópias prensadas, mais quer quiser pode baixar tudo: faixas, encarte, letras e fotos. Só em um dia de boca-a-boca, foram 400 downloads. Sem falar no golpe genial que foi o diário de gravação: os caras mostraram a gravação do disco (em tempo real) pela web.


Se você quiser indicar outra banda, sei que esqueci de algumas, é só mandar.
 
dica dos leitores: Molungo (música popular e ritmos afro-brasileiros)

Curta 8 – Festival Internacional de Cinema Super 8 de Curitiba

sexta-feira, outubro 23rd, 2009


Em sua quinta edição, o festival que iniciou como mostra abre pela segunda vez suas portas para receber filmes do mundo todo – no ano passado foram exibidos 47 trabalhos de onze países. Os curtas-metragens podem ser enviados por correio para um dos três pontos de coleta nas cidades de Curitiba, Londres e Estocolmo. A Caixa Econômica Federal promove o evento através da CAIXA Cultural Curitiba, que o recebe em sua sede na cidade, pelo segundo ano consecutivo, entre os dias 23 e 25 de outubro.

Três dias de programação: mais de 54 filmes.

E sexta-feira tem a exibição dos filmes produzidos na oficina de Tomada Única ministrada por Leandro Bossy Ship e Pedro Merege.
Nesta oficina 12 realizadores receberam um cartucho super 8, com o desafio de fazer um curta cm edição no gatilho da câmera, no ato de filmar,ou seja,sem edição posterior.

Detalhe: nenhum dos realizadores viu seu filme ainda. A exibição no festival será uma surpresa tanto para o público, quanto para o diretor - que verá seu filme pela primeira vez.

Eu, Leandro Hammesschmidt, sou um dos participantes desta oficina. Não sem nem dirigir carro, nem danças, mas dirigi o filme “e assim morremos nós”. É foda fazer um filme, mas o processo é legal! Até agora não acabei a trilha.Se é que vai ter uma trilha.

Contei com ajuda de muita gente: Gladson Fabian Marques, Leandro Ship, Franco Fuchs, Rosangela, Felipe H, Paulo Monteiro, Antonio Caffia, Joel, Pedro Merege, Henrique Ribeiro, Eduardo Salomon, Gabriela, Sara, Cancela, Wellington Bujokas (gaita), ideias de István Örkény, minhas e de mais alguns

Merchan:

E assim morremos nós (3′20″) trata da história de um diretor de tv que consegue autorização para rodar um doc. sobre a morte

Serviço:

Curta 8 – festival internacional de cinema Super 8 de Curitiba
mais de 50 filmes
data: 23, 24 e 25 de outubro
local: Teatro da Caixa, rua Conselheiro Laurindo, 280
entrada gratuita

programação (bem por cima)

23/out (sexta-feira):
tarde:credenciamento imprensa
noite:
(19 h) abertura
(20:10 h) exibição curtas em competição: oficina Tomada Única
(21 h) filmes em competição

24/out (sábado):
tarde:
(16 h) curtas sessão informativa
(17 h) retrospectiva super 8 argentino
noite (20:10 h) exibição curtas em competição: oficina Tomada Única,
(21 h) filmes em competição

25/out (domingo):
tarde: (17 h) retrospectiva super 8 Brazuca
noite: (20:30 h) cerimônia de encerramento com exibição dos filmes premiados

mais informações
www.curta8.com.br

EVa

sábado, outubro 17th, 2009


por Joba tridentejobatridente@hotmail.com

Em cinema nem sempre a máxima de um é regra geral para outro. Assim, uma câmara na mão e um idéia na cabeça é para bem poucos

Após a sessão de lançamento do filme EVA, de Arnaldo Belotto, na Cinemateca de Curitiba, a opinião de algumas pessoas sobre o que tinham achado do filme era: Não achei! Precisei sair antes! Não sei! Totalmente desfocado… E a mulher que o tal fotógrafo fica olhando, ele a matou (afogou), se é que ela estava viva (dormindo ou em coma)? Uma resposta estranha marcou: A mulher era a Bela Adormecida à espera dos 7 Anões e como eles não apareceram, ela foi jogada no mar. Nada como juntar dois contos clássicos (Bela Adormecida e Branca de Neve) para explicar o inexplicável.


EVA
é um filme mau humorado onde tudo é reduzido ao monossílábico: fala sem sentido, gestos automáticos, “fotos” que dizem nada, atores sem expressão. Problemas técnicos a parte, é difícil encontrar o foco da história, já que o foco do filme perdeu-se desde a abertura. Comprometida a fotografia, os silêncios e os vazios levam o espectador a lugar nenhum. Não são elementos nem pra uma possível reflexão, já que não há empatia alguma com o tal “fotógrafo” e ou com as suas “fotos”. Misturar contemporaneidade (telefone celular) com velharia (telefone com disco) e outras bugigangas (carro, hotel, portas sem campainha…) é uma alegoria que só torna o fardo do espectador ainda mais enfadonho e não uma compreensão da catarse do “herói” inútil.

EVA é uma obra que não ousa na sua experimentação e foge de qualquer conceito de “filme cabeça”, seja bebendo no cinema novo brasileiro ou europeu. Se a “idéia” (argumento) cinematográfica parece curiosa, ao final o espectador está se lixando para os “problemas” (?) do “fotógrafo” chato e a sua vidinha enfadonha. É evidente que um “fotógrafo” desses só vai “produzir” fotos sem graça e a ponto de contaminar até mesmo a equipe técnica do filme. Aí, não é a meta em busca de linguagem, mas a linguagem em busca de meta. O espectador não quer ser palco, quer continuar sendo platéia.

EVA, pelo que li, concluirá com mais dois filmes: um do antes e outro do depois da morte (ou da ausência de vida) da “personagem” título. É esperar pra ver. Quem sabe acaba fazendo sentido.

PROMOÇÃO SKYLAB EM CURITIBA

sexta-feira, outubro 16th, 2009

Estamos sorteando 20 ingressos para o primeiro show de Rogério Skylab em Curitiba (28 nov.) - evento promovido pela Tie Productions com apoio do Jornal TiraGosto.

Se você quiser participar da promoção basta enviar um e-mail até dia 22 de novembro (domingo) para leandro.hammer@gmail.com falando do interesse em participar do sorteio.

Os resultados serão divulgados dia 23 de novembro (segunda-feira) no blog www.jornaltiragosto.com . Os sorteados também vão receber um e-mail instruindo como retirar o ingresso.

Questão de sobrevivência

quinta-feira, outubro 15th, 2009

por Vanda Moraes - vandymoraes@yahoo.com.br

No fim do dia tudo gira em torno da sobrevivência. Uma vez que se aprende esta lição fica muito fácil conviver com animais selvagens que podem te devorar.

Outro dia lendo a biografia (recomendo) do sempre brilhante Slash, me deparei com este pensamento. Segundo ele, é muito mais fácil conviver com animais selvagens, como cobras e leões, do que com a maioria das pessoas que se julgam humanas e dizem ser civilizadas.

Na última sexta-feira, sem nem mesmo ter planejado, presenciei uma cena que confirmou esta teoria: estava usufruindo o “modelo de transporte público da cidade ecológica”. Seis horas da tarde, a melhor parte de usar o ônibus bi-articulado é o calor humano que pode ser sentido. Cheiro de suor, pessoas que se empurram na luta pelo espaço menos pior…

Ligeiramente à minha frente, em um lugar (dito) preferencial, um garoto, menos de 20 anos, está despreocupadamente acomodado. Uma senhora, cerca de 60 anos (que chamaremos aqui de Primeira), pede gentilmente o lugar explicando, inclusive, que machucou a perna e não consegue mais ficar em pé. O menino, como não poderia ser diferente, levanta-se e se segura como pode na multidão que se acotovela.

Nisto, outra senhora (que chamaremos de Segunda, apenas pela ordem sem nenhum juízo de valor), cerca de 60 anos, também, se dirige àquela que afirmou estar com o pé machucado, e solicita o lugar, não tão delicadamente assim. A primeira senhora explica, então, a sua situação: está com o pé machucado, é idosa também.

Logo à frente outro lugar preferencial é dividido por um jovem, cerca de 25 anos e uma senhora (esta a Terceira), em cuja companhia podem ser encontrados uma filha, uma moço que parece se tratar do neto e muitas sacolas, tarde de compras, talvez Sugere-se então que a Segunda senhora sente-se no lugar deste jovem.

Feita a transação, a Segunda senhora não perde seu tempo precioso na espera e empurra a família da Terceira senhora para se sentar no lugar do jovem de 25 anos. Neste ponto é que a história realmente acontece.

A Segunda senhora e a filha da Terceira iniciam uma batalha homérica, onde nenhum verbo foi poupado. “Velha podre”, “Senta sua velha imunda”, “Cadê a sua educação”, “Eu também estou passando mal, mas tenho respeito”, “Você é que é podre”, “Não, é você”, entre outras saudações foram proferidas aos gritos. A população da locomotiva encontrou, não se sabe como, uma forma de abrir espaço e fez-se um círculo em torno da disputa.

O mais curioso é que a Terceira senhora se levantou e a Segunda não quis se sentar, após ter sido ouvido o mais contundente dentre os xingamentos trocados “Você vai lavar este banco no seu caixão”, esbravejou a filha da Terceira indignada.

O banco vazio, jovens com os fones longe dos ouvidos para ouvir a briga, a Segunda senhora resmungando que não “sou este nome, não sou velha podre”, a filha da Terceira senhora afirmando, convictamente que “a falta de educação não é minha”, a Primeira senhora escondendo o rosto de vergonha. Expectativa.

Nisto, uma Quarta senhora entra no ônibus e, sem ter a mínima noção da cena que acabara de acontecer, senta-se no banco vazio. Risos esparsos podem ser ouvidos. As pessoas envolvidas na briga, sem objeto pelo qual lutar, se calam.

Neste momento lembrei-me da minha avó afirmando categoricamente que “quem muito quer nada leva”. Os animais que disputam a comida, penso, perderiam o jantar para um Quarto elemento que nem ao menos estava ciente da disputa?

Desço do ônibus.

No fim do dia, realmente, tudo gira em torno da sobrevivência.

estréia do filme Eva

quarta-feira, outubro 14th, 2009


“Albert é um fotógrafo retratista.
Acompanhamos seu cotidiano em meio a impressões e retratos, que utilizam a cidade e seus habitantes como pano de fundo.
Um corpo estranho surge na vida de Albert e desencadea uma jornada existencial que tem como finalidade, a exorcização do passado.”

Nesta quinta-feira (15/10) será realizado o lançamento do filme EVA, na Cinemateca de Curitiba. EVA é o primeiro longa-metragem do diretor curitibano Arnaldo Belotto. O filme aborda o amor perdido, o peso da ausência, a fragilidade, representados no personagem de EVA.

Filmado em apenas um mês e com uma verba de aproximadamente R$4.000,00, EVA não se adequa aos padrões do cinema convencional. Explorando sempre as sensações, o filme traz uma narrativa lenta e introspectiva. “Procurei sair da zona de conforto comparado aos filmes do momento, trabalhei com tempo estendido e com o silêncio e sei que isso pode incomodar um pouco as pessoas”, diz o diretor.

Participaram como atores principais Bruno Girello e Carolina Fauquemont. Bruno é Albert um fotógrafo atormentado por suas lembranças e Carolina é Eva, o símbolo deste passado, que Albert carrega e cuida. O filme conta com diversas participações especiais como Luthero de Almeida, Regina Bastos, Thadeu Wojciechowski “Polaco da Barreirinha” e o duo FélixBravo que assina a trilha sonora do filme.

João FÉLIX e Bernardo BRAVO compuseram quatro músicas para o longa,são elas: Vera, Guadalupe, 1974 e EVA. Mais informações sobre o duo http://www.felixbravo.com.br

Para conhecer um pouco mais das gravações e do filme, acesse http://filmeeva.blogspot.com. No blog existem entrevistas com a equipe, fotos do filme, cartazes e informações sobre a trilha sonora.

Serviço:
“Eva” o longa-metragem independente de Arnaldo Belotto (destilaria.tv) estréia dia 15 de outubro (quinta-feira) às 19:30 e 20:40h na Cinemateca de Curitiba - rua Rua Carlos Cavalcanti, 1174, São Francisco. Entrada franca.

descubra mais sobre este filme na reportagem da Vanda Moraes - Um filme Sensorial

Rogério Skylab em Curitiba – Turnê Skylab IX

domingo, outubro 11th, 2009


Rogério Skylab
é um músico, escritor e poeta bem conhecido no underground carioca. Suas obras são bem humoradas, excêntricas, divertidas, puro humor negro - que às vezes beira o mau gosto.


Skylab teve boa projeção nacional devido às suas entrevistas no programa do Jô Soares. A música “matador de passarinho” virou um hit na internet.


Artista de estilo único, Skylab “é um tipo que não tem tipo”.

Assumidamente influenciado por Tom Zé, Walter Franco, Jorge Mautner, Jards Macalé, Arnaldo Antunes, Lobão, Itamar Assumpção, Chacal (?), Fausto Fawcet, Arrigo Barnabé, entre outros.
Skylab usa como base de suas músicas o rock, mas funde vários estilos. “Por ser um tipo que assimila tantos tipos, passou a ser um tipo que ninguém esquece”.


Primeira Vez Em Curitiba


A Tie Productions (com apoio do Jornal TiraGosto) traz (pela primeira vez aqui) o show de Rogério Skylab. O evento está marcado para o dia 28 de novembro de 2009.

É uma boa opção pra quem curte música diferente, com temas: bizarros, polêmicos, mal-educados, vicerais, caricatos, curiosos, mas, no fundo, até bem engraçados.

Abertura com as bandas Pão de Hambúrguer, Trompas de Falópio e Zoidz (SC)



Serviço

local: Ópera 1, R. Jaime Reis (antigo Operário), 313, no bairro São Francisco
data: 28/11/2009 (sábado)
ingressos: 20 reais
pontos de venda: Túnel do Rock, livrarias Chain, Centro Acad. De Com. Social-UFPR e Centro Acad. De Física – UFPR

+ informações
– Carlos Zava - (41) 9107-6706 e/ou carloszavafilho@gmail.com

Bastardos Inglórios

sexta-feira, outubro 9th, 2009

 por Joba Tridente - jobatridente@hotmail.com

Todo cinéfilo que conhece os filmes do cinéfilo Quentin Tarantino sabe das suas referências cinematográficas (menos explícitas que as do parceiro Robert Rodriguez?) ou releituras atualizadas de grandes clássicos ou de produções “desconhecidas”. Ele mesmo nunca negou isso e até cita suas fontes. Em Bastardos Inglórios não é diferente, porém mais divertido. Aliás, acho que Quentin Tarantino só se torna interessante quando não é levado tão a sério, assim como os seus filmes de puro delírio. Afinal, o seu negócio é produzir diversão e não dissertação acadêmica.

Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds/2009), de Quentin Tarantino, além de divertido, pode ser visto como uma versão alternativa de Operação Valquíria (Valkyrie - de Bryan Singer/2008), entre outras produções cinematográficas sobre a 2ª Guerra Mundial, e até mesmo da verdadeira história desta guerra infame. Num clima de faroeste, bem ao gosto de Sérgio Leone e John Ford, e com as suas melhores canções, a lenda dos Bastardos Inglórios começa com um Era Uma vez… O plano do grupo de soldados americanos judeus é o de matar, com requintes de crueldade, o maior número possível de nazistas, que ocupam a França, e assim espalhar o pânico entre os soldados e o alto comando alemão. A ação suicida dá certo e alguns integrantes do grupo são destacados pra participar de uma operação de extermínio coletivo da alta cúpula nazista, incluindo seu chefe maior, Hitler, durante a estréia do filme NATION’S PRIDE (Orgulho da Nação), numa sala de cinema em Paris.

Ao focalizar a ação numa pomposa sessão de cinema, Tarantino transforma arte cinematográfica (e o próprio cinema) num veículo de criação e destruição da própria arte, já que o filme em questão é sobre os atos heróicos de um soldado nazista que vira astro de cinema, ao interpretar a si mesmo matando centenas de soldados inimigos. Arte ou heroísmo é apenas uma questão de ponto de vista. Palco e sujeito da mídia, desde a sua invenção, o cinema ainda serve aos mais diferentes propósitos, da diversão à propaganda política. Portanto, a catarse dos bastardos vingadores, numa sala de cinema, é muito subjetiva. Mas, eficiente, se possível. Quem não se lembra da trágica noite de 3 de novembro de 1999, quando, na última sessão de Clube da Luta (Fight Club, 1999), numa sala de cinema em São Paulo, o estudante de medicina Mateus da Costa Meira se levantou, sacou uma submetralhadora 9mm e começou a atirar, matando três pessoas e ferindo quatro,?

Bastardos Inglórios tem um elenco charmoso, multinacional e afinadíssimo, que vai de Brad Pitt (Aldo “O Apache” Raine) e Diane Kruger (atriz e espiã Bridget von Hammersmark) a Daniel Brühl (militar e ator Fredrick Zoller). Mas o destaque unânime fica com o ator austríaco Christoph Waltz (tenente-coronel Hans Landa) que não rouba só a cena, mas o filme inteiro. Bastardos Inglórios é falado em inglês (britânico e americano), francês e alemão, o que dá mais veracidade e proporciona excelentes tiradas de humor. É um Tarantino mais experiente, mais centrado nos diálogos, nos gestos, nos detalhes muito bem fotografados, mas ainda é o Tarantino com gosto pelas imagens sangrentas, mesmo que num volume menor. O filme, contado em capítulos (será coincidência que A Pedra Mágica, de Robert Rodriguez, também seja em capítulos?), com doses precisas de ação, violência, suspense, paixão, intriga…, tem 2h30, mas passa rapidinho.

Bastardos Inglórios é diversão certa para fãs de Tarantino e também para o espectador que não aguenta mais ver filme de guerra cheio de judeu coitadinho e alemão vítima da situação. Se a vingança é doce ou amarga, saboreada com champanhe, whisky, cerveja ou leite, só aquele que se vinga é que pode dizer. Mas, que o final tão à flor da pele, que não deixa pedra sobre pedra, vai dar a muita gente vontade de aplaudir…, ah, isso vai!