Avatar

por Thalita Uba (uba_thali@yahoo.com.br)

“Avatar” não se trata de um filme bom ou ruim. É um marco cinematográfico, você TEM que assistir. Simples assim.

A nova produção do megalomaníaco James Cameron (aquele do Titanic) traz o universo no ano de 2154 e os seres humanos, que - obviamente - já destruíram tudo em seu próprio planeta, explorando um mundo chamado Pandora em busca do minério Unobtanium. Pandora é habitada por uma espécie de criaturas denominadas Na’vi, seres azuis com cerca de três metros de altura, longas caudas e completamente em harmonia com o meio ambiente em que vivem. Os humanos querem explorar a mineração do planeta, os Na’vi querem proteger sua natureza e, naturalmente, a batalha está travada.

Dá, sim, pra enumerar uma série de motivos que enquadrariam “Avatar” em uma lista de filmes bem medíocres (tais como a pavorosa estrutura de folhetim, que eu, particularmente, abomino, e algumas falhas de roteiro bastante comuns a grandes produções muito mais preocupadas com os efeitos visuais que com o enredo). Mas durante a maior parte do filme, o espectador está tão envolvido na trama (ou tão ensurdecido pelo barulho colossal das caixas de som do Imax) que muitas falhas se mostram completamente relevantes.

Não vá ao cinema esperando se surpreender com a história. Tudo será entregue a você já pré-digerido e nada foge ao que você já previa que fosse acontecer. Toda magia do filme está no deslumbramento visual que ele causa, fazendo todo mundo sair da sala meio tonto. O volume de elementos na tela é simplesmente absurdo, a riqueza técnica da produção realmente impressiona, coisa que se tornou rara quando se trata de cinemão blockbuster (visto que sempre se cria uma expectativa imensa em torno do que está por aparecer na tela e a decepção é quase inevitável). O 3D é, contudo, peça chave na criação dessa fascinação toda. Não assistir ao filme em 3D deve ser bastante maçante.

Por fim, pra não dizer que o roteiro é de todo mal, trata-se de um assunto muito recorrente e em voga atualmente: a destruição do planeta pelo ser humano. É bastante difícil retratar um assunto tão discutido de forma tão diferente e isso - acho que ninguém pode discordar - James Cameron certamente conseguiu. Duvido que haja alguém que tenha tido contato com a colorida Pandora que não tenha se comovido com a causa Na’vi e não queria saborear um pouquinho mais aquele mundo tão fantástico.

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2 Responses to “Avatar”

  1. Gladson Says:

    Oi Thalita,

    vi um comentário sobre o filme que talvez traduza o que ele é: “Avatar tem tantas cenas clichês que pensei ter me tornado vidente a certa altura do filme…”

    Pra quem se surpreende com tecnologia, talvez se satisfaça com Avatar…

    Mas tem gosto pra tudo. Quem sabe eu goste do filme, certo?

    Abraços!

  2. Thalita Says:

    Foi o que comentei sobre a estrutura de folhetim e as falhas de roteiro.
    De qualquer forma, acho bem difícil alguém não se surpreender com a tecnologia apresentada. É realmente fantástica. Ontem mesmo estava lendo a crítica do Veríssimo a “Avatar” e ele apontava diversas contradições e bizarrices no filme mas, no fim, admite tê-lo achado sensacional.
    Como você disse, tem gosto pra tudo. E, como eu disse, é um marco cinematográfico, não realmente importa se é “bom” ou “ruim” - especialmente porque o conceito de “bom” ou “ruim” é extremamente relativo ;)
    Abs!

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