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Avatar

quinta-feira, janeiro 21st, 2010

por Thalita Uba (uba_thali@yahoo.com.br)

“Avatar” não se trata de um filme bom ou ruim. É um marco cinematográfico, você TEM que assistir. Simples assim.

A nova produção do megalomaníaco James Cameron (aquele do Titanic) traz o universo no ano de 2154 e os seres humanos, que - obviamente - já destruíram tudo em seu próprio planeta, explorando um mundo chamado Pandora em busca do minério Unobtanium. Pandora é habitada por uma espécie de criaturas denominadas Na’vi, seres azuis com cerca de três metros de altura, longas caudas e completamente em harmonia com o meio ambiente em que vivem. Os humanos querem explorar a mineração do planeta, os Na’vi querem proteger sua natureza e, naturalmente, a batalha está travada.

Dá, sim, pra enumerar uma série de motivos que enquadrariam “Avatar” em uma lista de filmes bem medíocres (tais como a pavorosa estrutura de folhetim, que eu, particularmente, abomino, e algumas falhas de roteiro bastante comuns a grandes produções muito mais preocupadas com os efeitos visuais que com o enredo). Mas durante a maior parte do filme, o espectador está tão envolvido na trama (ou tão ensurdecido pelo barulho colossal das caixas de som do Imax) que muitas falhas se mostram completamente relevantes.

Não vá ao cinema esperando se surpreender com a história. Tudo será entregue a você já pré-digerido e nada foge ao que você já previa que fosse acontecer. Toda magia do filme está no deslumbramento visual que ele causa, fazendo todo mundo sair da sala meio tonto. O volume de elementos na tela é simplesmente absurdo, a riqueza técnica da produção realmente impressiona, coisa que se tornou rara quando se trata de cinemão blockbuster (visto que sempre se cria uma expectativa imensa em torno do que está por aparecer na tela e a decepção é quase inevitável). O 3D é, contudo, peça chave na criação dessa fascinação toda. Não assistir ao filme em 3D deve ser bastante maçante.

Por fim, pra não dizer que o roteiro é de todo mal, trata-se de um assunto muito recorrente e em voga atualmente: a destruição do planeta pelo ser humano. É bastante difícil retratar um assunto tão discutido de forma tão diferente e isso - acho que ninguém pode discordar - James Cameron certamente conseguiu. Duvido que haja alguém que tenha tido contato com a colorida Pandora que não tenha se comovido com a causa Na’vi e não queria saborear um pouquinho mais aquele mundo tão fantástico.

o Condutor

segunda-feira, janeiro 18th, 2010

o Condutor é um curta-metragem curitibano, feito em 2007, com orçamento de 400 pilas. A produção é da Asteroide Filmes e o diretor é o Guilherme Biglia (vulgo Beá). O mesmo diretor do “Rua José Cadilhe“.

sinopse: Mauro (Maurício Olinda) é designado para conduzir (de kombi) 6 pacientes de um hospital a outro… não vou contar o resto

Neste filme você pode conhecer a Thalita Uba, a morena do banheiro. Thalita Uba é uma grande colaboradora do nosso jornalzinho.

Além da Thalita você poderá reconhecer figuras do Departamento de Comunicação da UFPR como o Mathias, um homem que consegue envergar chapas de MDF. Também vai reconhecer o músico Plá e o baterista Cajinha, da banda Sabonetes (que por sinal acaba de lançar um disco). Ainda Larissa Jorge, a ruiva/loira do banheiro, e Luisa Desiderá, mulher no trânsito. Mais Giuliano Biondi Batista, Bruno Reis, Arthur Roman, Beto Luth, entre outros.

Vale a pena conferir!

Harry Potter e o enigma do Príncipe

quarta-feira, julho 15th, 2009

 por Thalita Uba - uba_thali@yahoo.com.br

É com grande lamento que venho relatar minha decepção ao assistir, em primeira mão, ao filme que relata mais uma parte da saga do bruxo mais famoso do mundo. Harry Potter e o enigma do Príncipe, que chega às telas nesta quarta, segue o mau exemplo do 5° filme (baseado em Harry Potter e a Ordem da Fênix), trazendo mudanças significativas na história original e pecando na adaptação do roteiro, frustrando fãs e leitores assíduos da coleção de J. K. Rowling.

Não bastassem as modificações chulas feitas na história do livro (que, por exemplo, eliminaram boa parte da graça do romance entre Harry Potter e Gina Weasley), a criação de cenas novas se mostrou completamente desnecessária, uma vez que muita informação importante fora deixada de fora – não há, por exemplo, menção aos elfos domésticos, importantes na saga e essenciais na continuação da história; os personagens Bill Weasley e Fleur Delacour, presentes desde o início do livro, foram simplesmente eliminados da trama; e diversas memórias importantes compartilhadas com Harry Potter por Alvo Dumbledore foram descartadas. Além disso, diversas passagens não ficaram claras – graças a um roteiro mal amarrado e à eliminação de fatos importantes. Some-se a isso a péssima atuação de Daniel Radcliffe (Harry Potter), que, já não sendo um dos atores mais primorosos de sua idade, conseguiu fazer com que diversas cenas que deveriam, a princípio, ser comoventes e tocantes, ficassem desprovidas de qualquer emoção. Além dele, Michael Gambon (Alvo Dumbledore) também conseguiu a façanha de suprimir a calma e a serenidade que o querido diretor de Hogwarts tem nos livros. Por fim, lamento a pouca relevância com que o filme tratou momentos cruciais do livro (como a briga entre os Comensais da Morte e a Ordem da Fênix), abolindo uma necessária dose de suspense e ação que poderiam ter rendido aos responsáveis pelos efeitos especiais um belo divertimento.

Para não dizer que tudo foi um desastre, a fotografia do filme agrada. Os tons escuros utilizados pelo diretor de fotografia garantem a dramaticidade necessária à trama. Destaque também para Jim Broadbent, que faz com excelência o papel de Horácio Slughorn. Para encerrar a breve lista de “prós” do filme, menção honrosa para a direção de arte, que conseguiu fazer com que os estúdios da Warner Bros se parecessem realmente com a escola de magia e bruxaria descrita nos livros.

Parece-me, infelizmente, que Steve Kloves (roteirista, que também adaptou os quatro primeiros filmes da franquia) se perdeu no meio do caminho. Não sei se por influência de David Yates (que dirigiu somente Harry Potter e a Ordem da Fênix e Harry Potter e o enigma do Príncipe) ou por falta de habilidade para colocar na tela as 652 páginas do livro. O fato é que, mais uma vez, uma história coesa e sem falhas no papel chega às telas de forma distorcida e confusa. Uma pena para os fãs do bruxo.

Volta, Pedreira!

quinta-feira, maio 14th, 2009

por Thalita Uba - uba_thali@yahoo.com.br

Ok, o show do Oasis foi legal, o set list foi seguido à risca, os banheiros estavam limpinhos e todo mundo conseguiu ver o show com razoável conforto. Não dá, realmente, pra reclamar da Expotrade. O espaço preparado comportou muito bem o show, as cerca de 12 mil pessoas que lá estavam e tudo fora muito bem organizado (ao menos do ponto de vista de uma humilde fã, que apenas foi à Expotrade para ver a banda tocar e não teve acesso aos bastidores da organização do evento). Contudo, não posso negar saudades imensas dos shows no grande palco aberto de Curitiba: a Pedreira Paulo Leminski.

A Pedreira nasceu em 1990, durante o governo Jaime Lerner. Seu nome, obviamente, é uma homenagem ao escritor curitibano Paulo Leminski combinada com uma referência à antiga serventia do local, que abrigava a Pedreira Municipal e uma usina de asfalto. Com capacidade de 30 mil pessoas, 103,5 m2 de área e seu paredão rochoso de 30m de altura, a Pedreira Paulo Leminski já foi palco de shows de diversos artistas de renome como Paul McCartney, David Bowie, Milton Nascimento, Roberto Carlos, Iron Maiden, Pearl Jam, Ramones, Björk, Arctic Monkeys e The Killers.

Em 2008, a Pedreira foi interditada por uma liminar que o Ministério Público do Paraná concedeu a 134 moradores do Abranches (bairro onde se localiza a Pedreira), que se declaravam descontentes com os transtornos que a realização de shows no local causava. Com seu fechamento, Curitiba – que, na época, se encontrava na terceira posição de destinos de shows internacionais no Brasil, perdendo apenas para Rio de Janeiro e São Paulo – passou a ser preterida e os amantes da boa música tiveram lamentavelmente de ver muitos de seus artistas favoritos darem preferência às outras capitais sulistas (Florianópolis e Porto Alegre).

Uma democracia que privilegia 134 pessoas e passa por cima do direito de outras milhares que habitam a cidade de usufruir de um patrimônio público está, claramente, com algum problema. Não se trata de não haver um lugar apropriado para a realização de grandes shows em Curitiba (apesar de ser necessário apontar que a Expotrade está, afinal, localizada no município de Pinhais), pois não há como negar que tal espaço existe, sim. Trata-se de assassinar uma tradição de quase 20 anos por birra de algumas pessoas, afetando, assim, a cena cultural de uma cidade inteira.

Agora a boa nova: o vereador Jonny Stica, com o apoio de empresários do mundo artístico e comerciantes, mobilizou-se para reverter essa situação. Seu manifesto pode ser encontrado no site www.apedreiraenossa.com.br. Lá também é possível assinar o abaixo-assinado que Stica pretende apresentar ao Poder Judiciário a fim de revogar a liminar que fechou a Pedreira. Agora é conosco. Se unirmos forças, quem sabe não conseguimos reaver nosso palco preferido?

O curioso caso de Benjamin Button

quarta-feira, janeiro 28th, 2009

por Thalita Uba - uba_thali@yahoo.com.br

Grande nome do Oscar 2009, O curioso caso de Benjamin Button traz um recorte interessantíssimo do livro de F. Scott Fitzgerald. Indicado a 13 estatuetas, o filme dá um show no quesito maquiagem e conta com a atuação surpreendentemente boa de Brad Pitt (que geralmente só chama atenção pelo – cá entre nós – fabuloso aspecto físico).

O roteiro traz a história de Benjamin Button, um homem que, contrariando as regras da natureza, já nasce velho e, com o passar dos anos, ao invés de envelhecer, fica mais novo. Benjamin nasce no dia em que acaba a 1ª Guerra Mundial. Sua mãe morre no parto e seu pai o abandona. O menino, visto pelo pai como uma aberração, é criado por uma mulher que coordena um asilo e lá ele cresce, cercado de cuidados especiais. É lá que ele se acostuma com a morte – que com freqüência leva um dos moradores embora – e onde faz amigos de quem ele sabe que terá de se despedir logo. Daisy (Cate Blanchett – ruiva e lindíssima), neta de uma das moradoras do asilo, é uma das primeiras amigas de Benjamin – e também seu grande amor. Boa parte de sua vida está ligada a ela e toda sua história é contada no filme pela filha de Daisy, que lê o diário de Benjamin Button para a mãe em seu leito de morte.

Apesar de um tanto longo (são quase 3h de filme), o filme é, além de belíssimo, muito bem amarrado. Por conta disso, é um forte candidato às estatuetas de Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhor Roteiro Adaptado (esses últimos praticamente certos, na minha opinião). Apesar da ótima atuação de Brad Pitt, tenho minhas dúvidas com relação a sua premiação. O mesmo posso dizer da concorrente ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante Taraji Henson (que interpreta a mãe adotiva de Benjamin), que não foi mal mas não chega aos pés de Penelope Cruz em Vicky Cristina Barcelona. Seguindo a lógica que rege o Oscar há alguns anos, acredito que a estatueta de Melhor Figurino vá para A Duquesa e confesso que ficarei extremamente decepcionada se Batman – o Cavaleiro das Trevas perder o prêmio de Melhor Efeito Especial para Benjamin Button.

Nas demais categorias em que O curioso caso de Benjamin Button está concorrendo (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som e Melhor Trilha Sonora Original), não me arrisco a opinar. Mas mesmo não acreditando que o filme leve todos os prêmios aos quais fora indicado, afirmo que é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes que concorrem no Oscar esse ano. E se não for pela história, vale ao menos pra ver Brad Pitt com 17 anos de novo.

Oscar 2009

quinta-feira, janeiro 22nd, 2009

por Thalita uba - uba_thali@yahoo.com.br

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou hoje os indicados ao Oscar 2009. A indicação brasileira à categoria Melhor Filme Estrangeiro – o filme Última Parada 174, de Bruno Barreto – não foi selecionada, como era de se esperar – ao menos para mim, que aliás reclamei da fórmula “preto-pobre-favelado-violento” utilizada por Barreto aqui mesmo no TiraGosto. Não menos surpreendente é a indicação póstuma de Heath Ledger ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Batman – O Cavaleiro das Trevas. Alguém tem dúvidas de que ele leva essa? Confesso que ainda não assisti a todos os filmes que concorrem à estatueta de Melhor filme, mas aposto em Wall-e na categoria Melhor Filme de Animação e em A troca em Melhor Fotografia e Direção de Arte. Alguém mais arrisca um palpite?

Melhor Filme
* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Frost/Nixon
* Milk
* The Reader
* Slumdog Millionaire

Melhor Ator

* Frank Langella (Frost/Nixon)

* Sean Penn (Milk)

* Brad Pitt (O Curioso Caso de Benjamin Button)

* Mickey Rourke (The Wrestler)

* Richard Jenkins (The Visitor)

 

Melhor Atriz

* Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)

* Angelina Jolie (A Troca)

* Melissa Leo (Rio Congelado)

* Meryl Streep (Dúvida)

* Kate Winslet (The Reader)

 

Melhor Ator Coadjuvante

* Josh Brolin (Milk)

* Robert Downey Jr. (Trovão)

* Philip Seymour Hoffman (Doubt)

* Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)

* Michael Shannon (Revolutionary Road)

 

Melhor Atriz Coadjuvante

* Amy Adams (Doubt)

* Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)

* Viola Davis (Doubt)

* Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button)

* Marisa Tomei (The Wrestler)


Melhor Diretor

* Danny Boyle (Slumdog Millionaire)

* Stephen Daldry (The Reader)

* David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button)

* Ron Howard (Frost/Nixon)

* Gus Van Sant (Milk)

 

Melhor Roteiro Adaptado

* O Curioso Caso de Benjamin Button

* Doubt

* Frost/Nixon

* The Reader

* Slumdog Millionaire

 

Melhor Roteiro Original

* Frozen River

* Happy-Go-Lucky

* Na Mira do Chefe

* Milk

* WALL-E


Melhor Filme de Animação

* Bolt (Walt Disney)

* Kung Fu Panda (DreamWorks Animation)

* WALL-E (Walt Disney)


Melhor Direção de Arte

* A Troca

* O Curioso Caso de Benjamin Button

* Batman - O Cavaleiro das Trevas

* A Duquesa

* Apenas um Sonho


Melhor Fotografia

* A Troca

* O Curioso Caso de Benjamin Button

* Batman - O Cavaleiro das Trevas

* The Reader

* Slumdog Millionaire


Melhor Figurino

* Austrália

* O Curioso Caso de Benjamin Button

* A Duquesa

* Milk

* Apenas um Sonho


Melhor Documentário

* The Betrayal

* Encounters at the End of the World

* The Garden

* Man on Wire

* Trouble the Water


Melhor Documentário de Curta-metragem

* The Conscience of Nhem En

* The Final Inch

* Smile Pinki

* The Witness - From the Balcony of Room 306

 

Melhor Edição

* O Curioso Caso de Benjamin Button

* Batman - O Cavaleiro das Trevas

* Frost/Nixon

* Milk

* Slumdog Millionaire

 

Melhor Filme Estrangeiro

* The Baader-Meinhof Complex (Alemanha)

* The Class (França)

* Departures (Japão)

* Revanche (Áustria)

* Waltz with Bashir (Israel)

 

Melhor Maquiagem

* O Curioso Caso de Benjamin Button

* Batman - O Cavaleiro das Trevas

* Hellboy 2: O Exército Dourado


Melhor Trilha Sonora Original

* O Curioso Caso de Benjamin Button

* Defiance

* Milk

* Slumdog Millionaire

* WALL-E

 

Melhor Canção Original

* Down to Earth (WALL-E)

* Jai Ho (Slumdog Millionaire)

* O Saya (Slumdog Millionaire)

 

Melhor Curta-metragem

* Auf der Strecke

* Manon on the Asphalt

* New Boy

* The Pig

* Spielzeugland


Melhor Animação de Curta-metragem

* La Maison en Petits Cubes

* Lavatory - Lovestory

* Oktapodi

* Presto

* This Way Up


Melhor edição de som

* Batman - O Cavaleiro das Trevas

* Homem de Ferro

* Slumdog Millionaire

* WALL-E

* O Procurado


Melhor Mixagem de Som

* O Curioso Caso de Benjamin Button

* Batman - O Cavaleiro das Trevas

* Slumdog Millionaire

* WALL-E

* O Procurado


Melhor Efeito Especial

* O Curioso Caso de Benjamin Button

* Batman - O Cavaleiro das Trevas

* Homem de Ferro

Centro e Recife Antigo

terça-feira, dezembro 16th, 2008

por Thalita Ubauba_thali@yahoo.com.br

A nossa Thalita foi pra Recife concorrer num festival de cinema com seu documentário “Absolutamente Anselmo” , neste texto ela nos conta um pouco sobre a cidade

Eu já viajei bastante pelo mundo. Geralmente sozinha. Já esperei ônibus de madrugada em Los Angeles, andei de metrô depois de meia-noite em Paris, perambulei pelo Harlem (bairro negro de Nova Iorque) sob a luz da lua, passei a noite na estação de trem em Viena e atravessei a Crackolândia em São Paulo. Já fiz minhas peripécias por muitos cantos e confesso que nunca senti tanto medo quanto no centro de Recife.

Após ter conhecido o marco zero de Recife (de onde se avista uma escultura que Brennand fez em homenagem aos 500 anos do Brasil – e que é o monumento mais fálico que eu já vi na minha vida) e passeado por Olinda, resolvi gastar meu tempo conhecendo alguns dos pontos turísticos famosos no centro da cidade como a Casa de Cultura, a Capela Dourada, o Mercado São José e a sede do governo do estado. Desembarquei na Casa de Cultura – uma antiga prisão transformada em uma espécie de mercado municipal em que as lojas funcionam dentro das antigas celas – e me pus a procurar presentes pra família e amigos. Após o momento consumista, informei-me sobre como chegar à sede do governo pernambucano e ao Mercado São José e comecei a andar.

A cada metro andado, apressava o passo. Além dos inúmeros olhares que me despiam por onde eu passava, começou a incomodar-me a insistência de vendedores de camelôs e de mendigos à procura de esmola. Não bastassem as pessoas, as ruas são demasiado sujas, o que me passava a sensação de estar andando em terreno perigoso e impuro. Não consegui entrar na Capela Dourada por conta das dezenas de moradores de rua que se aglomeravam na entrada (cerca de 30, 40 pessoas), pedindo moedas e lançando olhares ameaçadores à minha pobre Sony Cybershot. Quando finalmente cheguei ao Mercado São José, estava tão enojada e amedrontada que sequer aproveitei o mercado. Dei uma única volta e logo saí, praticamente correndo.

Ao perguntar sobre o ponto de ônibus mais próximo, uma vendedora me respondeu que era mais seguro andar um pouco mais e pegar o ônibus em um local menos perigoso. Eu (muito macho), que queria assistir a Ixpórti e Coxa na Ilha do Retiro, desisti rapidinho. Prometi a mim mesma que nunca mais voltaria àquele lugar horroroso e voltei à Boa Viagem.

Contudo, dia em que encontrei um amigo pernambucano que me apresentaria a “night” recifense, ele fez questão de dar umas voltas extras de carro para me provar que o centro não era tão horrível assim (apesar de ele concordar que as pessoas são realmente assustadoras). E de fato, Recife à noite é, além de menos assustadora, muito mais bonita (o que embasa minha teoria de que o que estraga o Recife são as pessoas e não a cidade em si – visto que também são as pessoas que sujam as ruas).

Apesar de ainda decepcionada, fiquei um pouco menos desgostosa com o centro.

De lá seguimos para o Bairro do Recife, também conhecido como Recife Antigo, onde se localizam muitas construções históricas, como a sinagoga Kahal Zur Israe, a primeira das Américas. É também lá que ocorre o melhor do carnaval recifense, mais tranqüilo que o de Olinda, onde trios elétricos são proibidos e a festa é comandada por blocos carnavalescos e manifestações culturais. Recife Antigo é muito bacana, com seu ar boêmio e suas dezenas de bares. Confesso que só não senti medo porque estava acompanhada de um “nativo”, pois a quantidade de flanelinhas supera o Largo da Ordem, com a diferença de que em Recife eles são muito mais falantes – logo, ao menos na minha concepção, mais assustadores. Mas o bairro é, no geral, extremamente agradável e os bares, muito bons.

Relembrando tudo que vivenciei, aconselho que ninguém visite o centro desacompanhado (especialmente se for mulher) e que dê um passeio pela cidade à noite, que é quando a tal “Veneza brasileira” parece surgir. A Casa de Cultura vale a pena tanto pra conhecer quanto pra fazer aquelas compras básicas de turista. Recife Antigo é imperdível à noite e, se possível, arrume um “guia” local pra fazer tudo isso com você. É o mais prudente.

Aventura expressa

quinta-feira, novembro 13th, 2008

Por Thalita Uba
uba_thali@yahoo.com.br

“Eu não gosto de carros alaranjados”. Olho para o lado, desconfiada. “Como ela sabe que eu pensava a mesma coisa?”. Logo me acalmo. É natural que usuários de ônibus, na falta de ter o que fazer durante suas longas jornadas de sacolejos e xingamentos ao motorista, divaguem sobre o mundo que passa pelas janelas. A amiga, contudo, não concorda. Até acha “bonitinho”. Acho engraçado como a conversa engrena. “Mas e se tu entra num carro desses pensando que é um táxi? Daí “pá”, dá de cara com um ‘cara nada a ver’?”. Preocupante, de fato.

Andar de ônibus tem apenas dois lados divertidos (fora aquele de salvar o meio ambiente): acabar de ler livros muito mais rapidamente e analisar o comportamento humano. O segundo, confesso, sempre me fascinou. Gosto de prestar atenção em conversas, feições e expressões; avaliar como pensam, decifrar como são. Às vezes me decepciono, às vezes me surpreendo. Geralmente aprendo alguma coisa. E sempre, sempre me divirto.

“Ah, mas eu fiquei com medo, viu? Vai que é um ladrão”. Violência urbana: o assunto favorito do pessoal que já passou dos 60. Essa senhora tem cara de quem passa o dia inteiro assistindo a telejornais, só pra rever todas as notícias ruins mais uma vez. Ela é bem arrumada, mas não se compara à velhinha sentada dois bancos à frente. Cabelos no melhor estilo “capacete” e sombra verde-bandeira pra combinar com o xale de franjas. Deve ser viúva. Dessas que, depois que o marido morreu, resolvem aproveitar a vida: viajar, comprar roupas caras e jogar baralho com as amigas todas as quintas-feiras.

Sempre me pergunto como algumas pessoas possuem o talento de acabarem com a própria aparência. Esse moço que está de pé na minha frente, por exemplo. Não é de se jogar fora. Mas por que, meu Deus, essas roupas rasgadas, o cabelo imundo e esses colares ridículos? Ele toca violão. Tem unhas compridas em uma mão e curtas na outra. E é canhoto, visto que as unhas compridas são as da mão esquerda. Quem sabe se eu o levar a um pet-shop eles não conseguem consertá-lo?

“Eu nunca mais quero ouvir falar em matemática”. Eu também não queria, mocinha. Por isso virei jornalista. Mas olha, você ainda tem tempo de corrigir esse erro terrível. Vá ser engenheira, vá. Seus pais e sua carteira de trabalho agradecerão. “Não, ‘coxambrar’ é tirar férias”. “Coxambrar?”. “É, tipo, fazer nada”. Coxambrar. Interessante. Penso em virar pra trás e dizer: “Ah, eu adoro verbos bizarros. Tipo ‘defenestrar’, conhece?”.

“Moça, como eu faço pra chegar na Rui Barbosa?”. Pô, interrompeu minha conversa aqui. “Você pode descer ali no Estação e pegar o outro expresso, que tem um tubo lá na Rui Barbosa”. “Expresso?”. “É”. “…”. “Expresso. Ônibus. Vermelho. Tipo esse”. “Ah, tá! Brigada”. Levo alguns segundos pra entender.

Lição do dia: não chamar “ônibus” de “expresso” pra quem não é de Curitiba.

Rocknrolla - A grande roubada

sexta-feira, outubro 31st, 2008

por Thalita Uba uba_thali@yahoo.com.br

Destaque hoje pra estréia de Rocknrolla, o novo filme do ex Sr. Madonna, Guy Ritchie. O diretor, que ganhou notoriedade após Jogos, trapaças e dois canos fumegantes (1998) e Snatch (2000) - que conta, aliás, com brilhante atuação de Brad Pitt -, segue com sucesso no rumo dos filmes de ação (gênero esse que, cá entre nós, parece ser o único que consegue despertar o excelente cineasta que existe em Ritchie).

O filme conta a história de criminosos londrinos que caem num golpe criado por um magnata russo. Logo após as negociações iniciais, as coisas começam a dar errado tanto para os ingleses quanto para os russos e a confusão é generalizada. Diversos tipos de criminosos acabam se envolvendo e, depois de muitos tiros e pancadaria, tudo se resolve da forma mais condizente possível: com bastante violência.

Muita ação, socos e sangue orquestrados por uma excelente trilha sonora traçam um roteiro quase impecável, com ótimas pitadas de humor. Menção mais que honrosa também para a atuação de todo o elenco e, naturalmente, para o diretor, que soube, mais uma vez, conduzir seu próprio submundo do crime com maestria.

Altamente recomendado para quem gosta de filmes agitados e barulhentos.

Prata da casa

quinta-feira, setembro 25th, 2008

por Thalita Uba uba_thali@yahoo.com.br

Confesso que ainda não li o livro premiado, mas mesmo assim, acho que Cristóvão Tezza merece uma menção urgente. Tezza acaba de ganhar o Prêmio Jabuti na categoria Melhor Romance com seu livro O filho eterno, provando, mais uma vez, que Curitiba não se resume a vampiros e elefantes.

Desde 2005, ano em que Tezza ganhou o prêmio de melhor romance de 2004 da Academia Brasileira de Letras com O fotógrafo – livro que ele, muito educadamente, autografou pra mim –, busco interar-me sobre os passos do escritor. A admiração nasceu logo com seu primeiro livro nacionalmente conhecido, Trapo. E aumentou ainda mais quando, em 2004, época em que eu era uma pobre caloura deslumbrada, descobri que ele seria meu professor de Língua Portuguesa. Com ele, aprendi a me interessar por livros que talvez não me atraíssem em um primeiro momento. Aprendi a melhor interpretar histórias que talvez não pudesse compreender antes. E, principalmente, aprendi a admirar ainda mais quem possui o talento e a destreza necessários para se escrever e publicar um livro.

Seduz-me o fato de que Cristóvão Tezza trata Curitiba como Jorge Amado tratava a Bahia – com respeito e paixão, mesmo não sendo curitibano de nascença. Além disso, seus textos são envoltos em um véu de mistério e suspense, conferindo às histórias um quê de Agatha Christie e Conan Doyle. São enredos intrigantes, fatos surpreendentes, brilhantemente linkados pelo imenso conhecimento lingüístico de Tezza.

Se O filho eterno é bom ou não, ainda irei descobrir. De qualquer forma, acho que todos que tiverem a oportunidade de ler, devem fazê-lo. Mesmo porque, é tão raro termos motivos pra nos orgulhar das pratas da casa que, quando a oportunidade existe, devemos nos agarrar a ela com unhas e dentes. E talvez, como todo bom curitibano bairrista, insistir que é o melhor livro do mundo, mesmo que não o seja.